O VENTO

Letra e Música: Joana Barra Vaz

 

Engraçado como o vento

Disfarça o sentimento

De que não te volto a ver

 

E é engraçado que depois

Voltássemos os dois

A um tempo curvo

 

Tu és lenha para me queimar

Se “o amor é fogo que arde sem se ver”

Ficámos por saber

 

Sobre a graça do momento

Que revelou de novo o alento

Pouco há a dizer

 

Mas sobre a graça que entre os dois

Se quedou, resta depois

Ver além do turvo

 

Tu és lenha para me queimar

Se o amor é fogo que arde sem se ver

Ficámos por saber

Tu és, tu és lenha para me queimar

 

 

VAI

Letra e Música: Joana Barra Vaz

 

Respira

Que é bem melhor viver sem nada

Eu aprendi

A adormecer assim calada

E vi um castelo a ruir

Vi um castelo a ruir

E nós sem pé para o chinelo

 

Relaxa

Que refilar não dá em nada

Se é de silêncio nas mãos

Que te vais daqui para fora

Que viste um castelo a ruir

Viste um castelo a ruir

E nós sem pé para o chinelo

 

Vai e cuida com vagar

Das coisas que te fazem querer voltar

Vai e cuida com vagar

Das coisas que te fazem querer voltar

Que “esta terra ainda vai cumprir um ideal”

Mas ninguém sabe bem qual.

 

 

CANÇÃO DO TRILHO

Letra e Música: Joana Barra Vaz

 

Passeio pelo trilho, regressam no infinito

As aves de Fevereiro num voo por inteiro

E vêm para ficar na luz e no calor

Cantando que a manhã chegou

 

São estas as raízes

Que meus pés bem fundo no chão

Teimam em firmar

E aqui não há-de faltar

Malga de leite e pedaço de pão

Para quem cá vier parar

 

Cada um sabe ao que vai

E aqui é quanto baste

Num canto morno, o canto das aves

Cada um sabe o que semeia

Na passada domingueira

Basta-nos tão pouco

Para ser inteiro, para estar

Para ser inteiro, para estar inteiro

 

Madrugada viu-te chegar

Pleno de sede e cansaço

Depois de tanto serão

Em que pousei antes de deitar

A malga de leite ao portão

Não fosse o poeta ter razão

 

Cada um sabe ao que vai

E aqui é quanto baste

Num canto morno, o canto das aves

Cada um sabe o que semeia

Na passada domingueira

Basta-nos tão pouco

Para ser inteiro, para estar

Para ser inteiro, para estar inteiro

 

 

O DISFARCE DO SOL

Letra e Música: Joana Barra Vaz

 

Tu lembras-me de um poço sem fundo

Que eu encontrei num passeio qualquer

Regressando entre as silvas de unhas sujas

Saciada de amoras verdes

 

Meu irmão e eu fugindo do que não tem fuga

Meu irmã e eu rindo no disfarce do sol

Sorrindo no disfarce do sol

 

Tu lembras-me de um mergulho frio

Que eu dei antes da subida à serra

Nas tardes divididas em vertigem

Até ao limite da luz

 

Minha irmã e eu fugindo do que não tem fuga

Minha irmã e eu rindo no disfarce do sol

Sorrindo no disfarce do sol

 

 

A CATRAIA

Letra e Música: Joana Barra Vaz

 

A catraia diz que tem

Um jeitinho de se levar

À bolina no teu sopro

 

E a catraia diz que vai

A esse cais arribar

Se em ti avistar bom porto

 

Cada catraia tem

Um adamastor para vencer

No embalo da lada

Na maré vaza

A acalmia faz por revelar

 

Todas essas coisas

Tombadas bem no teu fundo

São doidas essas coisas

Dando à costa na enseada

Onde descansa o teu pescoço

 

O dia traz nova maré e ela acorda na fé,

O dia traz nova maré e ela acorda na fé:

“Cada catraia tem seu moço, cada catraia tem seu moço”

 

A catraia diz que quer

Certas noites fundear

Ao largo do teu golfo

 

E a catraia há-de seguir, sim

Navegando nesse mar

Até lhe faltar o fôlego

 

Cada catraia tem

Um adamastor para vencer

No embalo da lada

Na maré vaza

A acalmia faz por revelar

 

Todas essas coisas

Tombadas bem no teu fundo

São doidas essas coisas

Dando à costa na enseada

Onde descansa o teu pescoço

 

O dia traz nova maré e ela acorda na fé,

O dia traz nova maré e ela acorda na fé:

“Cada catraia tem seu moço, cada catraia tem seu moço”

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